sexta-feira, 2 de julho de 2010

Educação moral e civica


Quem está na faixa etária dos 40 aos 50 anos de idade, se recorda dos tempos de escola em que era obrigado a freqüentar as classes de organização social e política Brasileira ou educação moral e cívica. Tais disciplinas ficaram gravadas na memória como fardos a quem nos coube carregar durante os anos de ditadura militar. Eram raros os professores que, independentemente da orientação oficial, cumpriam o dever de desenvolver em cada um de nós um cidadão. A maioria rezava pela cartilha oficialista que,  quando muito, nos fez decorar o hino nacional, gravar os símbolos do Brasil e jamais saber diferenciar sistema de regime, para citar um exemplo banal. Poucos de nós se recordam que a famigerada  OSPB foi incluída no currículo do ensino médio pelo presidente João Goulart. Ele o fez pouco antes de ser deposto. Imediatamente, os militares transformaram  o que deveria ser uma forma de contribuir para a formação político social  dos estudantes, de  modo a torná-los cidadãos consciente e participativos, em  educação moral e cívica atrelada aos princípios da segurança nacional. Faz falta, nas salas de aula freqüentadas por futuros eleitores, trabalhadores, formadores de opinião, temas como a estrutura de poder no Brasil, as atribuições de um presidente da republica, de um governador ou de um prefeito. Falta quem diga o que cabe a um senador, um deputado federal, um deputado estadual ou um vereador. Os adolescentes precisam ser apresentados às grandes questões nacionais, à globalização e seus efeitos, à identidade cultural da própria nação, alem das fronteiras de seu quarteirão, bairro, cidade ou estado.Não se trata de incluir uma disciplina no currículo como foi feito com OSPB ou Educação Moral e Cívica. Ainda que se soterre aquele modelo, não se trata de desassociar cidadania e civismo de historia, geografia ou mesmo matemática. Um caminho seria agregar a cada uma dessas disciplinas pontos de convergência com a formação moral e cívica dos futuros cidadãos. Incentivar o raciocínio e a critica no sentido filosófico dos termos.É evidente que não cabe apenas a escola esse papel. Ela é parte de um  todo  responsável pela formação e informação de um cidadão. A família é outro pilar fundamental nesse processo.Ao encontrarmos num tempo de eleição, que inclui propaganda nas ruas,debates,  exposições de candidatos e ( lamentavelmente raros)programas , de alianças Frankenstein e a evidencia da necessidade de uma reforma política neste pais, não se pode excluir os jovens, ainda que não votantes, dessa realidade.É o momento de puxar conversa, ensinar,   mas não catequizar. É hora de cumprirmos nós, adultos, nosso dever de cidadãos. Além do voto individual, nos cabe pôr à questão a mesa. De jantar ou do bar. De levar em conta o que se quer da cidade a qual moramos, de quem vai ocupar o posto de deputado. E do papel do governador.Cabe a cada um de nós, cada pai, professor e aluno, incentivar, pedir, reivindicar, exigir. Verbos cuja conjugação soa empoeirada ou datada para alguns, pois não se transforma realidade alguma sem que se use um deles com plena generosidade.Tal atividade gera incômodos, saias-justas, tira do marasmo, aquece debates, causa divergências, rompe amizades, criam outras. Nada que não seja vida. O contraditório é parte integrante.O lado oposto dessa moeda é o risco do pensamento único, da ditadura, da perpetuação de estruturas de e no poder.
Fonte: Pinto, Marcus Barros. Falta educação moral e cívica.